Descubra porque o projeto Moradias Infantis está sendo tão premiado - Blog da Arqtto
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Descubra porque o projeto Moradias Infantis está sendo tão premiado

Descubra porque o projeto Moradias Infantis está sendo tão premiado

Conheça o projeto de uma escola rural, feito por Marcelo Rosembaun e Aleph Zero, que será tema do IV ENCONTRO ARQTTO

 

Na zona rural da cidade de Formoso do Araguaia, município com pouco menos de 20 mil habitantes no sul do Tocantins, funciona a escola rural Canuanã. Nessa grande fazenda vivem cerca de 800 alunos de 7 a 18 anos, que aprendem, brincam e se desenvolvem na escola, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Passando tanto tempo ali, se sentir em casa na instituição é fundamental. Foi essa a ideia que orientou o Moradias Infantis, projeto feito por uma parceira entre o designer Marcelo Rosenbaum e os arquitetos Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes, do escritório Aleph Zero. O mote do projeto foi “Canuanã é minha casa”.

IMERSÃO EM CANUANÃ
O desafio era criar novos espaços para substituir os alojamentos usados até então: quartos com 20 beliches e 40 crianças cada. Os professores e a direção da escola queriam que os alunos – muitos deles em situação de vulnerabilidade social – se sentissem mais acolhidos na escola.

Para alcançar esse objetivo, Rosenbaum, Utrabo e Duschenes fizeram uma imersão na fazenda, observando a rotina e conversando com as crianças para entender os sonhos e as necessidades delas. Ouviram pedidos simples, como um prédio arejado para os dias quentes do Norte do país. Também visitaram a aldeia Javaés e a população ribeirinha, próximas à escola, prestando atenção especial às técnicas construtivas adotadas por essas comunidades.

 

O grupo percebeu uma personalidade na região. Com uma combinação de Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, a paisagem abriga índios Carajás, Javaés e Caras-Pretas (como é chamada a miscigenação de índios, escravos e portugueses). A natureza e a cultura locais são tão expressivas que foram incorporadas ao projeto.

Depois de descobrir os encantos do lugar, o trio pôs a mão na massa. Reuniram o que viram, ouviram e conheceram na região para projetar as moradias. Os materiais foram escolhidos levando em conta a dificuldade de acesso à fazenda (transportar concreto até lá, por exemplo, seria complicado e demorado) e a identificação com o lugar, aliando tradição e tecnologia. Assim, a madeira e o tijolo de adobe são os protagonistas da obra.

AS MORADIAS
O alojamento se divide em dois pavilhões: um feminino e um masculino, implantados em pontos distintos da propriedade e separados do prédio onde ficam as salas de aula, biblioteca e laboratórios.

As construções têm dois andares. No térreo estão os quartos, cada um abrigando seis alunos. Desta forma, o projeto permite respeitar a individualidade das crianças e adolescentes, o que é tão importante quanto valorizar o senso de coletividade. Nas paredes dos dormitórios, grafismos indígenas ressaltam as raízes da comunidade.

Os quartos se abrem para pátios em meio ao pavilhão, com jardins e espelhos d’água. As praças não competem com a exuberância da natureza da fazenda, mas criam ambientes de convivência. No andar superior, estão áreas de uso comum, ligadas umas às outras por passarelas.

Os pavilhões se integram à natureza e à cultura, resultando em um espaço que combina com a região ao mesmo tempo em que eleva a qualidade de vida de quem mora ali. O resultado foi reconhecido pelos principais veículos e instituições de arquitetura, nacionais e internacionais.

RECORDISTA EM PRÊMIOS

Pela qualidade arquitetônica e estética e pelo respeito aos alunos, escola, sociedade e meio ambiente, o projeto Moradias Infantis foi recordista em prêmios, sendo considerado o Melhor Edifício de Arquitetura Educacional do mundo pelo Building Of The Year.

Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, o diretor da escola, Ricardo Figueiredo, percebeu mudanças positivas depois da implantação dos novos dormitórios. “[Os alunos] estão muito mais tranquilos, passaram a valorizar o silêncio, cuidam muito da estrutura. Para muitas dessas crianças, é a primeira vez que têm um quarto, já que a maioria mora com os pais em casas de apenas um cômodo”, reflete.

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ENCONTRO ARQTTO
O arquiteto Gustavo Utrabo, do escritório Aleph Zero, será o palestrante do IV ENCONTRO ARQTTO, evento que marca o lançamento da plataforma ARQTTO em Brasília. Utrabo contará sobre sua trajetória profissional e sobre o projeto Moradias Infantis.

O evento, voltado para arquitetos e urbanistas em busca de conhecimento e inspiração, traz profissionais de destaque, que compartilham seus projetos e experiências. Em 2018, oito cidades brasileiras vão receber o Encontro.

O evento já foi realizado em Curitiba, Maringá, Londrina e Florianópolis e recebeu profissionais de destaque, como Sarkis Semerdjian, Leandro Garcia, João Vitor Ricciardi Sordi e Rodrigo Pupin (Grupo PR), Aníbal Verri Júnior e Tânia Nunes Galvão (Verri & Galvão Arquitetos) e Edson Cardoso (LAR Arquitetura).

O IV ENCONTRO ARQTTO acontece no dia 26 de junho, das 19h às 22h, na Livraria Cultura do shopping CasaPark. A entrada é gratuita e há 150 vagas disponíveis. Inscrições aqui.

O evento tem o patrocínio de Arauco, Isoeste, Zinco, Shopping CasaPark e IAB DF.

Milena Alves
milena@arqtto.com.br
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